Para mim, a experiência do amor romântico sempre foi uma porta para a humilhação. Talvez, por ter demorado a intuir que o impulso da paixão é uma espécie de loucura momentânea, eu enfrentava problemas para controlá-lo e, principalmente, para lidar com episódios de rejeição sentimental. Tonar-se libertino, como eu gosto de definir, é uma metamorfose que nasce do simulado sofrimento das relações românticas. Não existe amor romântico, existe a química que dá ao desejo sexual uma aura de fascinação que não existe de fato. É uma armadilha, afirmava Schopenhauer.

Se atravessei muitos desses amores românticos? Sim, atravessei e atravessei mal. Viver a ilusão do romance com a convicção de manter o celibato e a regra de não procriação é um conflito interno sangrento. Devido a isso, provavelmente, o que encontrei nessas relações sentimentais não foi o lado onírico, mas a realidade concreta da traição, da deslealdade e, não poucas vezes, da rejeição e do aviltamento voluntário. A dor emocional mata ou liberta, no meu caso encontrei a libertação. 

Não posso contestar indivíduos que acreditam no casamento, mesmo quando eles atuam para demonstrar que o casamento é uma farsa burocrática. O indivíduo quer acreditar no matrimônio, quer crer que a procriação e a ideia de família completam a existência, mas ele busca prostitutas e desvia o dinheiro que deveria servir para consolidar sua fé em todas essas crenças. Os cônjuges são criaturas que se agarram na mentira e fazem de si mesmos personagens hipócritas dissimulando a idiotice. Tudo isso resume uma doença psicológica derivada da insistente fé no amor romântico. O amor é uma mentira que a mente impõe para atingir objetivos vulgares, o homem vulgar a adota como valor absoluto, ignora a confirmação da mentira que ele demonstra em todos as ocasiões em que se desvia dos princípios que poderiam justificar seus fundamentos.

Atingindo a meia-idade, afirmo que nunca casei e não tenho filhos, essa sentença faz de mim um homem livre, não um homem triste; essa sentença comprova que escapei do destino ordinário de grande parte da humanidade, revela um sucesso, não um fracasso. O fracasso estaria na cena patética que revelasse um personagem se esgueirando por bordéis e salas penumbrosas do meretrício, consultando o relógio, desligando o celular, buscando prostitutas e enganando uma companheira que também se enganou ao acreditar na veracidade da união romântica. Repito, não existe amor. A parte mais divertida da ideia do romance é premeditar a traição. O amor só é capaz de conceber bebês e grandes canalhas.