Ontem à noite eu estava inquieto. Decidi ir para o Centro visitar algum bordel. Peguei um táxi e deixei a bucólica Tijuca. Chovia fino, desembarquei no Centro próximo às 20h, passei pela porta da 502 e pressenti que estava morta, fiquei sem saber para onde ir. Sabendo da penúria que estão todos os puteiros, desanima um pouco fazer incursões.

Entrei na 4×4, minha última visita foi rápida e quis olhar tudo com mais calma. Na recepção, a mocinha me informa que é 50 reais o ingresso, bico seco.

— Não dá pra mim — retruquei.

— Deixa eu ver com o dono o que eu posso fazer… — ela respondeu com o script do “não deixa ele ir embora” — Posso fazer 100 reais a consumação para o senhor. Está bom?

— Tudo bem — peguei a chave e fui colocar o roupão.

Uma senhorinha que podia ser a minha avó me deu a chave e um roupão menor do que as minhas dimensões físicas, fiquei parecendo um pão suíço mal coberto por um pequeno guardanapo. Fazer o quê? Caminhei para o salão puxando as pontas do mini roupão para evitar que minha bunda ficasse exposta.

A boate da 44 ficou bonita depois da reforma, talvez seja a mais bem transada do circuito Centro. Sim, havia mulheres no salão, pelo menos cinquenta delas, a maioria de nível mediano e umas três ou quatro acima da média. Ressalto que nenhuma me pareceu justificar mais de 500 contos em um programa de uma hora. Poucos clientes. A maioria das garotas desocupadas, nenhuma se aproximava. No fundo da boate, uma colônia de meninas que se comportavam como se o mundo fora dali não existisse. Impressionante. Fui bebendo, me embriagando, perdi a conta de quantas cervejas Corona tomei, até ser informado que uma garrafa da Corona custa 22 reais. Pikachu, ao saber disso, quase teve um derrame que o deixaria inválido pelo curto espaço de vida que lhe resta.

Avistei duas meninas que trabalhavam na 502, lá elas saíam por 150 ou 200 reais, agora custam mais de 400 ou 500 pilas. É como dizem, não existe mais hierarquia entre as Termas atualmente, a rotatividade é intensa.

Agora, o inusitado. Uma garota sarada sentou-se ao meu lado e puxou um papo inédito.

— Já fui gordinha como você — ela ousa me dizer.

— Eu não sou gordinho, você está enganada. Eu tenho uma estrutura óssea de grandes proporções.

— Ha ha ha… Você é engraçado. É sério! Olha o meu corpo, também já fui gorda. Sabe o que me deu jeito?

— Academia? — perguntei respondendo.

— Não. Herbalife. Se você quiser posso te explicar.

De repente, eu estava no puteiro sentado ao lado de uma puta vendedora da Herbalife que me chamou de gordo.

— Faz assim, depois eu te passo meu celular e você faz contato.

— Ah, tá. Passa mesmo, vai ser bom pra você — ela sai sem insistir na venda.

No momento em que eu alcancei o nirvana alcoólico, quando via dobrado todas as coisas ao meu redor, uma branquinha se aproximou.

— Oi, meu nome é Mila. Está sozinho, amor?

— Eu bebi tanto que nem sei se estou sozinho.

A mulher me dá um selinho e se senta ao meu lado. Fiquei esperando-a tentar me vender algum laxante para ajudar a emagrecer, mas não aconteceu. A branquinha era gostosa, bonitinha de rosto, rolou aquele papo padrão, mãos invasivas no Pikachu, mandou-me um beijo na boca de desentupir pia e perguntei se ela se lembrava dos preços dos programas. Escolhi meia hora que, se estou certo, me custou 290 reais. Não irei me estender muito porque o sexo foi aquele sexo normal de puteiro, pasteurizado, nada de excepcional, mas também não foi ruim. Um bom sexo profissional. A garota gosta de chupar, de beijar e isso foi suficiente para mim.

Um detalhe interessante é que quase não vi mulheres subindo para programas, além dos raros clientes no salão. A coisa estava tão feia que enquanto eu atravessava a boate, quando entrei nela, algumas meninas sussurravam eu meu ouvido que faziam anal como se estivessem distribuindo panfletos de ofertas populares na rua da Alfândega.

Para concluir, o que posso dizer é que com o programa de praticamente 300 contos somado ao consumo, perdi mais de 400 mangos em uma noite. Vale a pena? Não. Pergunte novamente. Vale a pena? Não. Seja qual for a casa, qual for a historinha que contem para você, não vale a pena gastar mais de 400 reais em um puteiro atualmente. Irei voltar? Não. Tão cedo, não retorno a 4×4.

Eu venho de um tempo em que as Termas eram cabarés, havia alegria, zoação, você podia ir até sozinho e se divertir. Isso não existe mais. Eu frequentava a 65 todas as semanas, me embriagava no Bar Monteiro antes de entrar; ia para a Monte Carlo, para a Solarium. Eu gastava, mas os valores ainda eram viáveis. Isso também acabou. Infelizmente, pois me criei nas Termas. Hoje, é preciso dizer, a melhor opção para o sexo são as frees. Eu poderia dizer que as termas representam mais a diversão, mas nem para isso estão servindo. Vai para um boteco que será mais feliz.