A Termas Continental era um templo glorioso que existiu na Tijuca entre o final da década de 80 e a década de 90. Tive a sorte de viver o alvorecer da minha juventude nos anos 80, mesmo o princípio dos anos 90 também tiveram um encanto e um charme que este novo século não possui. Quase vizinho do lendário Aldir Blanc, eu pegava meu carro ou ia caminhando até a mansão da luxúria em frente à estátua do Bellini.

Lembro-me de certa noite inesquecível em que entrei na boate e tocava “Vogue”, na voz de Madonna. Senti uma euforia, um prazer de viver absurdo.

VOGUE

As mulheres dançavam, se alisavam, flertavam com clientes e me senti em um raro e absoluto estado de graça. Hoje tenho mais consciência de como são rarefeitos esses momentos em que somos tocados pelo momento, pela consciência do presente e pela exuberância do existir. Foi nessa mesma noite que comi uma mulata com um dos rabos mais perfeitos que vi em toda a minha vida, grande, redondo, arrebitado, sem qualquer traço de celulites ou estrias. O melhor de tudo, ela fazia anal. Eu caminhava pelo início do meu aprendizado sexual e foi na boca da mulata que gozei a primeira vez com um sexo oral. Eu queria comer a mulata para o resto da vida, mas a perdi de vista. Para não dizer que nunca mais a encontrei, uma vez cruzei com ela na linha 415 (Usina-Leblon), de madrugada, quando eu retornava do Forró de Copacabana, mas, sabendo que ela não me reconheceria, evitei o contato.

A Termas Continental não foi o meu primeiro bordel, mas foi o que eu adotei por muitos anos, até que acabasse. Na recepção, ficava uma senhora mal-humorada que, apesar disso, nunca roubou na conta. Essa Termas poderia ser comparada a uma Centaurus da Tijuca, ressaltando que as instalações eram simples e a degradação do ambiente avançou rápido. Sempre cheia, era o point do Tijucano promíscuo. É inacreditável não existir mais uma casa de grande porte na Tijuca, um dos bairros com mais putanheiros por metro quadrado.

A casa da Termas Continental ainda está lá, diante da estátua do Bellini, morta, sendo devorada pelo tempo, consumindo-se em ruínas. Ainda é possível ler no alto da fachada as marcas da inscrição do seu nome. O tempo passou e resta pouco do que conheci quando tudo era apogeu.