Todo libertino é um bravo, um herói escondido por trás de um nome, carregando a missão de buscar qualquer Vênus desgarrada e informar sobre as que cruzam o seu caminho. Somos uma pequena brigada ocupando as primeiras fileiras do front. Somos cronistas do sexo, Descobridores de talentos, amantes da lascívia. Juntos, empregamos nossa energia no árduo ofício que nos impulsiona a querer alcançar e compreender este mito ancestral que se chama Mulher, um ser que evolui sem freios desde a primeira Eva.

Recorro a você, meu incógnito leitor, para tentar sustentar minhas temerosas certezas. Como podemos escrever sobre uma mulher sem resvalar para o pieguismo dos versos? Como podemos descrever o encontro com uma flor sem tropeçar na poesia? O Homem inteligente evoluiu e percebeu a essência etérea do feminino.

Provavelmente, não existiria a Ilíada sem Helena; Ulisses não teria motivação para a Odisseia e encontrar seu rumo se não houvesse Penélope; o Super-Homem jamais mudaria o curso da história se não fosse por Lois Lane e nossa congregação de promíscuos estaria condenada às trevas do tédio, pois nunca poderia provar a doce adrenalina que reside na aventura da conexão com sua outra metade oposta.

Sem a mulher não haveria a Vila Mimosa e eu nunca teria me unido a Vanessa. Mulata de traços finos, vinte e um anos, uma das faces mais lindas que me passaram aos olhos. E se a Mulher é a evolução do Homem, a Mulata é a superação da própria mulher.

Um rosto de linhas delicadas, enfeitado com olhos vivos e nariz monárquico. A altura não ultrapassava 1,65m; os cabelos compridos assumiam o estilo de uma raça, o Rastafári; um sorriso lindo e iluminado; um corpo bem desenhado, sem barriga, cintura marcada e pernas bem-feitas. Um pitéu!

Combinado o valor da doação, fomos para a masmorra, o que exigiu de mim a escalada de uma escadaria interminável, um tributo necessário pelo deleite que eu iria viver.

Alcançando a alcova, eu encosto a Vanessa na parede e nos perdemos num amasso que teve origem nos namorados de esquinas escuras e desertas. Sem pudores, nos beijamos muito. A garota se entrega totalmente, voluptuosa, faminta. Eu a acomodo na cama e desço direto ao seu sexo, chupo, ela se contorce, geme alto, quer que eu pare, diz que não quer gozar, eu continuo, estremece em trancos, para de resistir e goza. Volta a me beijar e procura meu membro, o engole num boquete sem capote, quer me retribuir, faz sem pressa, eu fecho os olhos e viajo no movimento ritmado daquela boca, flutuo ao toque suave daquela língua.

Ela se deita de frente e me coloco sobre o seu tronco, naquela posição sexual mais simples que conhecemos. Eu a penetro, ela me abraça, arrasta suas unhas pelas minhas costas, geme ao pé do meu ouvido, enlaça minha cintura com suas pernas. E é nas ondas do choque entre dois corpos que ocorre a explosão do orgasmo, fundidos é que conhecemos toda a nossa energia, um clarão fugaz que nos esgota e nos separa.

Diante de mim, extasiados e exauridos, os olhos negros da Vanessa me fazem sentir a alegria da paixão. Dura pouco, mais ou menos meia hora, mas a paixão deve ser breve para que não se confunda com o fastio do amor que arrefece o fogo do corpo.

Na volta, caminhei devagar pela Sotero Reis, era noite de sexta-feira, uma noite que eu nunca mais poderei esquecer, pois paixão é tatuagem que se imprime na memória.