Conheci libertinos que há cerca de 10 anos que já eram coroas, alguns mais velhos do que eu. Lembro que lá por 2012 vi um desses foristas sêniores, que uma menina revelou o nick (aparentemente, a contragosto do sujeito), tinha um sotaque espanholado, um senhor antipaticíssimo com quem tentei puxar conversa, mas me esnobou. O cara já era velho em 2012 e continua um produtor regular de TDs até hoje. Impressionante. É preciso registrar que esbarrei com poucos mais velhos do que eu, alguns morreram, outros devem estar em asilos geriátricos tentando convencer octogenárias a deixar rolar um boquete. O universo mundano nos causa a ilusão de juventude, incita a nossa vaidade, mas é esse universo que também termina atestando a nossa entrada no crepúsculo sexual. Viramos curiós de canto baixo.

No declínio da ancestral potência peniana surgem os placebos, tem o velhinho metido a lutador de UFC, o outro metido a bilionário, tem o idoso que tenta se convencer de que é sedutor de ninfetas e há os que deliram que são tudo isso ao mesmo tempo. É a fase das ilusões. Resumindo, nos tornamos patéticos na terceira idade. Não digo que seja necessário estar casado com uma senhora grisalha, rodeado de filhos e netos. Não. Eu, por exemplo, nunca me casei nem fabriquei herdeiros, deixarei minha última gota de sêmen para um banco de espermas, mas é provável que não vá prestar para nada e acabe num caminhão de lixo hospitalar.

O curioso é que o nosso ponto de vista vai mudando à medida em que nos tornamos fósseis. Há 20 anos, eu conseguia transar até em uma escada sombria de um cortiço no entorno da Central do Brasil; atualmente, se eu passasse pela mesma situação, o meu pau engendraria uma fuga espetacular e eu sobraria lá sozinho, à mercê de todas as maldades da vida. Por falar em pau, há um detalhe fascinante. Quando somos jovens, o pênis acompanha o nosso entusiasmo, é um escravo da nossa libido e dos caprichos da carne; quando envelhecemos, o pau se rebela, ganha vida própria, nos trai, como se quisesse nos castigar pelos anos de escravidão, pelas vaginas insalubres em que foi obrigado a penetrar contra a própria vontade. O pênis na terceira idade é um indignado, um subversivo indisposto e rabugento. Na juventude, era o pênis que suplicava por um descanso enquanto o submetíamos impiedosamente a dor de longas travessias sexuais. Agora, somos nós que suplicamos por um mísero átimo de ereção, apenas o suficiente para gozar. Acredite, forista sem fé, são as reviravoltas do tempo.

Hoje, quando passeio pela Vila Mimosa, é inimaginável trepar numa daquelas alcovas sem o risco de sofrer um choque séptico. Na última vez em que estive no Bombeirinho, no Centro, tive um pesadelo, sonhei que vermes de batom saiam do meu pau quando eu urinava. Horror. Não dá mais. A terceira idade pede conforto, lençóis de cetim, travesseiros de pena de ganso, clima, provocações e fantasias. Na terceira idade, o libertino não busca o sexo, ele quer alugar amor. Libertino velho quer romance. Não é mais aquele jovem que gozava e ficava angustiado para ir embora, para abandonar a parceira. Libertino idoso goza e se apaixona. Quantas putas compreendem isso? Uma em dez.

E a camisinha? É a inimiga figadal do pênis da terceira idade. A camisinha e o pau idoso travam lutas ilíacas no tatame que suporta dois ou mais corpos nus. Existe um ódio visceral entre pênis da terceira idade e o sequestrador de espermas representado pelo preservativo. Não julgue, não condene, estimado forista. São os ciclos da natureza.

Dirijo-me a você, jovem forista. Sei que minhas palavras o deixam pessimista, mas não tema a velhice, não é produtivo temer o inevitável. Se há um tempo para ser implacável com o seu pênis, o tempo é agora, no alvorecer das primaveras. Não ceda à compaixão, não escute as súplicas dos músculos doloridos. Esse mesmo pau que hoje se faz de vítima, será o seu carrasco impassível no crepúsculo do curió.