Sábado. Noite fria. Destino: Vila Mimosa.

Visto meu uniforme preto, caminho em direção ao carro, giro a ignição, o motor ronca sedento de aventuras. Num voo rasante, alcançamos a Rua Ceará, escolho um estacionamento, imbico e ancoro o Sucatão. Piso triunfante sobre os paralelepípedos da Sotero Reis. Consigo ouvir o som de tambores, mas eram somente as batidas de um funk que fazia a trilha sonora da minha chegada. Resolvo tomar uma latinha de Skol, rompendo a Lei Seca, gosto de ser transgressor, sou indomável. Coloco as mãos no bolso para pegar a carteira e….. Cadê a carteira? Onde está a carteira? Esqueci em casa!

Retorno amuado ao carroe deixo a Rua Ceará. Acelero para resgatar a única coisa que não se pode esquecer quando se vai à Mimosa: o dinheiro. Aquelas pequenas cédulas de papel são como ingressos para realizar nossas fantasias, a grana é nossa espada.

Em outro voo quase sônico, recupero a carteira e pego de volta o caminho para a Sotero Reis. Estaciono. Novamente, minhas botas sentem o contato com os históricos paralelepípedos da VM, tambores rufam ao fundo, agora sabemos que é o maldito funk nos recepcionando.

Foi quase instantâneo, assim que encontro o miolo da VM, vejo a Natália dançando num biquíni sumário, na sacada da Casa 56. Linda! Alta, olhos claros, corpão, bunda vistosa, pernas grossas…. Impressionou! Faço uma ressalva para os cabelos, excessivamente volumosos, pareciam com uma peruca. Cheguei junto!

– Caramba! Você é linda! E os seus cabelos! … – Elogio até o que não gostei.

– Ai! Gostou do meu cabelo? É aplique! – Ela responde de imediato.

Muuuuiiito lindo! – Confirmo, tentando conter a ironia. – Foi caríssimo! – Ela valoriza.

Coitada! … – Calma, amigo leitor, isso eu não respondi, apenas pensei.

Masmorra!

Burocrática, performática e mecânica. Não consegui gozar e joguei a toalha. A menina é simpática, mas fraca na cama. Voltei à pista, o garimpo precisava continuar…. Então, meus olhos esbarram com a Juliete, uma loirinha de cabelos cacheados, carinha de anjo e estilo mignon. Trabalha na Casa onde rola o Pagode do Índio, uma que fica lá no alto, o acesso é por uma escadaria. Marquei na pressão e fiz a entrevista que precede o abate.

– Caramba! Você é linda! E os seus cabelos… – Procuro não fugir ao script.

– Obrigada! … – Responde educada.

– E o que você faz na cama?

– Olha, eu chupo sem camisinha, beijo na boca, mas não faço anal. – Responde sem pestanejar.

Segunda Masmorra! Entramos no quarto, tiramos a roupa, ela apaga a lâmpada de cem velas que torna o cubículo quase um forno de microondas e começamos o embate.

– Me deixa sentir a chupada sem camisinha que você me prometeu – envio a cobrança.

– Ahan! – Ela não se faz de rogada.

– Vupt…. Lança a boca em meu membro.

– Aaaaaaaaiiii! – Sim, leitor incrédulo, este grito saltou da minha garganta, subiu pelas minhas entranhas.
A explicação para o terrível grito que emiti é simples, a menina não chupava, ela mastiga o pau da gente.

– Pelo amor de Deus, filhinha, vai mais devagar, tenta de novo, mas com carinho. – Insistir foi um ato de coragem da minha parte.

Vapt…. Ela vem de novo, esfomeada.

– Aaaaahhhhhhuuuhhhhh – Grito sem economizar, esta segunda mordida foi pior, pareceu raiva.

Depois de duas dentadas no pau, brochei! Preferi encerrar o programa. Novamente na pista, desolado com o prejuízo, duas moças mal escolhidas. Mas sou indomável, não sairia da Zona no zero a zero.

Camila, mulata fofinha da Casa 58. Fofinha, mas gostosa, eu já a conhecia, faz sexo com vontade, sabe agradar. Eu a escolhi como salvação para aquela noite de desastres. Acertei o negócio e subi pelas as escadas em caracol que parecem terem sido feitas para Cabras escalarem e não para um humano galgar. Terceira Masmorra! Foi perfeito e finalmente consegui liberar a o jorro contido.

Leve, era como se eu flutuasse pelos paralelepípedos enquanto seguia para o Sucatão. O pau ainda dolorido e traumatizado com os dentes do Anjo Canibal, mas eu estava feliz. Ao fundo, os tambores soavam mais lentos, era um Pagode do Belo que servia como despedida. Um maldito Pagode do Belo. Giro a ignição, piso o acelerador e o motor ronca sorrindo. Fim de noite.

(Foto: Mauro Pimentel / Terra)